sábado, 14 de julho de 2012
“Meus romances nunca deram certo, e deve ser por
isso que eu condeno todos. Deve ser por isso que eu condeno o amor: por
ser um fracassado no quesito amar. Não me abalo, talvez, mas me perco.
Eu nunca tive coragem de falar com a minha paixão de metro, e a
paixonite que tive no ônibus semana passada foi tão passageira que
sequer a vejo no ponto esperando o ônibus. Acho que me condeno por nunca
ter sido o suficiente para alguém, e de alguma forma, me condeno também
por nunca ter me dirigido àlguém com uma inteira vontade de viver ao
lado. Amor é querer, é estar, é prestar, é dar. Dar, mesmo quando não se
tenha nada. Amor é querer. Um beijinho, mas querer. Amor é prestar.
Prestar atenção em cada detalhe, em cada sinalzinho de tristeza ou
felicidade. Amor é imensidão. Imensidão que eu nunca senti - deve ser
por isso que sou assim… Meio desgostoso com tudo -. Desculpa, é que faz
falta ter alguém. Alguém pra compartilhar e estar junto. Não por
carência. Não pra tapar buracos de problemas anteriores. Não por estar
sem opções… Por ter mesmo, simplesmente. É bom ter alguém e faz tempo,
anos, que eu não vejo um pinguinho de amor me rondando. Devo condenar a
vida por isso? Claro que não. Amanhã pode ser meu dia de sorte, mas
provavelmente não seja. É sempre a mesma monotonia de sempre e o que me
salva é o meu cachorro. Eu durmo e finjo que vivo, pois viver não está
no meu roteiro. Eu culpo a vida por meus amores mal resolvidos, mas a
quem eu devo culpar quando me apaixonar perdidamente por alguém? Ao
destino? Não… Ao amor mesmo. Amar é isso: se jogar sem saber onde irá
cair, mas amor de vida, não de semana. Eu me culpo por ser assim… Tão
desproporcional àlguém. Mas eu tenho esperanças, afinal, até panela tem
sua tampa.”
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