Feia, gorda, ridícula, e com textos sem nexo, onze anos, sofrendo por amor, aonde já se viu, pergunta a mãe apavorada com os recentes atos da menina, pulsos cortados, pernas cortadas, olhar ferido, tudo por causa de um ocorrido, tudo por causa dele, ele, que é tão meu, porém, eu ainda não me acostumei, bom, você deve estar pensando "olha, já vai ela trocar de assunto novamente" na verdade, tudo isso faz parte de mim, só que são assuntos tão separados, mas enfim, volta a babaca pro texto sem nexo...
Sou fraca o suficiente pra ver um carinho de outra qualquer e me trancar no banheiro aonde quer que seja pra chorar, desabafar comigo mesma, as vezes, fico triste comigo por não ser boa o suficiente pra ser melhor que as amiguinhas dele, sim, sou ciumenta, de mais, talvez, por que agora ele é meu.
Chorar não me faz feliz, e não pensem que me cortar me faz feliz, porém, realmente me alivia, não que eu seja uma louca que queira ver sangue e tal, não, só por que eu sou ridicula, por que eu sou tão retardada, brigo comigo mesma as vezes por ser fraca e não conseguir perder manias do tipo, escutar alguma musica e chorar, ou principalmente, não aceitar uma despedida, seja ela qual seja, de um ente querido, ou de um amigo afastado, bom, desde pequena aprendi viver eu e minha mãe em um apartamento pequeno enquanto ela ia trabalhar e eu ficava na creche, morrendo de saudades dela e chorando enlouquecidamente como quando tiram um doce de uma criança, meu pai não foi um bom pai, digamos assim, bom, eles se separaram quando eu tinha 3 anos, todo mundo pensando "ah, ela não entende" sim, eu entendia, era um dos principais motivos de eu ser tão seca hoje em dia, minha mãe reclama que eu não sou carinhosa e estou sempre no mundo da lua, bom, após a saida super do nada do meu pai de casa, minha mãe chorava toda noite e eu com toda inocencia deitava na cama ao lado dela e falava "mamãe, tudo vai ficar bem". Meus avós sempre tão próximos, principalmente meu avô, que ocupou repentinamente o cargo de "pai". Passam anos e do nada, surge uma noticia, um tumor no cérebro que abala a familia, que abala principalmente a mim, que sempre fui tão dedicada a ser super carinhosa e fazer tudo oque ele pedia, não sei passar um almoço ou um dia sem ligar pra casa da minha avó pra ouvir a voz dele e saber se ele está bem, bom, quase sempre, ele fala que está tudo bem e pergunta como foi o meu dia, mas é dificil eu passar um dia ou não ir almoçar na minha avó apenas pra ficar o observando, bom, teve uma época, que pra mim foi uma das piores, quando ele não conseguia caminhar e pra tudo dependia das minhas tias ou da minha avó, fraco, quase sem voz, me via brincar com a minha afilhada e dizia "minhas princesinhas" encho meus olhos de lágrimas ao lembrar do ocorrido, quando eu cheguei na porta do hospital e minha mãe disse "hoje ele está melhor" entrei porta a dentro e o me tiraram de lá rapidinho, ele estava passando mal, tendo uma grande recaida, sai de la correndo e fui pra casa, passei o dia inteiro sem comer, sem entrar na internet e sem ligar pra ninguem, fiquei olhando pra janela e pensando "lá se vai mais um".
Passou-se uma semana ou mais, e sai ele de cabeça erguida do hospital, quando eu chego pra almoçar e me deparo com um sorriso e um "Olha polaca, eu já tô melhor" caminhando de cabeça erguida, sem dar um passo em falso, de mãos dadas comigo, fomos até a sala, ficamos conversando, até que ele dormiu, e eu fui pra casa, totalmente melhor comigo mesma vendo que ele estava bem, realmente bem, pois é, ele continua fazendo quimioterapia e fisioteriapia, meu herói.
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